Olhei-me no
espelho e me perguntei: - este sou eu?
- Envelheci. Não sou mais aquele B.P
das fotos de chapelão em jornadas no Transvall. Olho-me de novo e vejo que ali
está alguém que descobriu que o tempo passou. Quantas vezes eu me vi no espelho
pensando que minha vida caminhava retornando e não seguindo para onde devia ir?
Sempre me pergunto quem sou eu. Será que sou aquele que faz a alegria de quem
me ama, a tristeza de quem me odeia? Amigos escoteiros do mundo dizem que sou
luz sou um poeta que leva a paz e o amor entre os badenianos do universo. Será
que é isto que eu sou? Acredito que ninguém pode dizer exatamente. Olho-me de
novo e vejo um ancião de olhos opacos com pensamentos abstratos sabendo que um
dia foi e hoje não é mais. Com meus pés no chão da terra molhada vejo que não
mais existem pegadas por onde passei.
- Olho-me novamente neste espelho sem
graça e vejo que meu passado ficou para trás. Sinto que aos poucos vai sumindo
na poeira do tempo, apagadas com o vento em uma tarde de verão. Pego no ar a
voz dos anjos escoteiros, meus amigos que me dizem que não posso parar. - Chefe
lembre-se de que sua jornada de vida não o ensinou a retornar e sim a descobrir
um novo caminho onde vai passar. Não sei mais o que pensar. Melhor é agradecer
as palavras doces surgidas por um escrito meu que vai se perder no tempo e
morrer no passado. Sei que são amigos que me querem bem. Aquele poeta foi quem
disse tudo sobre mim: - Minha vida está nos meus escritos e poemas, todos eles
sou eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.
- Não posso parar meus passos que
percorreram caminhos pensando em fazer os outros felizes como eu sou. - Olá! Eu
digo. Já estou de volta de uma volta que não dei. Cheguei ao ponto de reunião e
o melhor é começar tudo novamente. Caminho a seguir caminho a evitar e salto um
obstáculo em um fosso profundo usando um nó de evasão. Minhas pegadas irão
desaparecer no tempo, no vento amigo e agora sei que mesmo isto acontecendo alguns
me disseram que no futuro muitos irão lembrar... Às vezes penso que desistir
não consta na minha jornada. Sei que muitos insistem comigo para prosseguir. Eu
sei que parar é morrer aos poucos. Dou um sorriso, elevo meu agradecimento e
retorno com todos vocês meus amigos que agora passam a morar no meu coração.
Tranquilizem-se, estão abrigados sobre o manto das estrelas do meu sangue e lá
irão permanecer para sempre.
Do amigo Chefe Osvaldo





