Osvaldo Escoteiro, mais conhecido como Chefe Osvaldo. 70 anos de escotismo e 76 de idade.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Uma clareira




Uma clareira.

Noite alta... Hora de meditar e sonhar... Gosto de ouvir em minha vitrola “Auld Lang Syne”... A linda canção da despedida. Tem dia que encosto nas minhas tristezas e por estar longe dos sorrisos da molecada escoteira ouço sem parar a amada canção... Não estou me despedindo, sei que o mundo da voltas e em volta do fogo tornaremos a nos ver. Um poeta iluminado escreveu... “Nem a tristeza, nem a desilusão, nem a incerteza, nem a solidão... Nada me impedirá de sorrir. Não tenho medo, nem depressão, por mais que sofra meu coração nada me impedirá de sonhar”... Sei que não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus... Quem sabe para onde irei poderei sentar em volta do fogo, junto a amigos que me querem bem, e com nossas mãos entrelaçadas cantar Auld Lang Syne... E lá vou eu em pensamento voando nas asas da minha imaginação lembrar outro poeta... “Saudade é solidão acompanhada, é quando o sonho ainda não foi embora... Saudade é amar o passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos machuca, e não ver o futuro que nos convida... Saudade, eita saudade que não existe o que não existe mais”...
Boa noite.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Nossas ações




Nossas ações.

Existe um ditado que diz: "Quem planta tâmaras não colhe tâmaras" isso porque as tamareiras levam de 80 a 100 anos para darem os primeiros frutos. Certa vez um jovem escoteiro encontrou um Antigo Chefe plantando tâmaras e perguntou: porque o senhor planta tâmaras se o senhor não vai colher? O Chefe respondeu: se todos pensassem como você, ninguém comeria tâmaras. Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que sirvam para todos. Nossas ações hoje refletem o futuro... Se não é tempo de colher, é tempo de semear. Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada... E, no meio do intervalo entre a vida e a morte, brigamos por aquilo que não trouxemos e não levaremos... As coisas têm seu tempo. Até podem ser aceleradas, mas será que é saudável? A maioria das pessoas deseja que as coisas ocorram rápidas e valorizam muito que é veloz. É preciso respeitar o tempo da árvore e o seu. Se você insistir, irá pular etapas importantes de sua vida e de seu futuro. Pense nisso: Viva mais ame mais, perdoe sempre e seja mais Feliz. Deus Abençoe tua vida.
Boa noite.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A jornada.




A jornada.

- Acordamos de madrugada. O amanhecer era algum maravilhoso. Notei uma nesga do sol no horizonte. O rosto molhado com o orvalho que caiu da bruma branca, nos fez companhia toda a noite. Cada um foi levantando e arrumando sua tralha. Comemos uns biscoitos para aguentar a jornada que nos esperava. Precisamos chegar na Caatinga do Boiadeiro antes do meio dia. Olhamos pela última vez aquelas quedas d’água que nos levou sem saber a um paraíso perdido daquele rio que chamavam de Formoso. Calados e mochilas as costas nos pomos em marcha. Alguém olhou para trás, a névoa branca se dissipava. Deu para ver centenas de pássaros se molhando nos respingos da cascata imensa. Durante horas ninguém falou. Sempre olhando para trás. Somente o pequeno trovejar ainda se ouvia das quedas que já haviam desaparecido no horizonte. Nunca mais voltei na Cachoeira do Rio Formoso. Ninguém de nós voltou. Passaram uma cerca de “arame farpado” em tudo. O homem só o homem resolvia quem entra e quem sai. Já não havia mais a natureza, pois foi substituída pelos desmandos do ser humano. Aquele que mesmo chegando depois dela, diz arrogantemente: “sou o dono da terra, dono da natureza”.
Boa noite.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O acampamento vai chegando ao fim.


O acampamento vai chegando ao fim.

- O acampamento vai chegando ao fim. As noites sob o céu de estrelas deixarão de existir. As brasas do último fogo de Conselho se apagaram. O momento final é glorioso. Todos estão a lembrar da luta dos dias de construção nos horários de tempo livre. A manhã do último dia chega sem ninguém perceber que o que vale na vida é o ponto de partida e não a chegada. Cada um olha sua construção, sua mesa, seu fogão, sua barraca e os olhos lacrimosos sabiam que no final tudo ia ao chão. Nada irá ficar a não ser o espirito criado, a amizade sem adornos os fraternos abraços e as boas ações. Agora só o sol é testemunha do fim da jornada. Quando ele se por no horizonte, todos sem exceção estarão de volta ao ponto de reunião. O No cerimonial do arreamento da bandeira o Chefe falou a Tropa formada: - No fim tudo da certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim. Acredito, o acampamento é assim, um céu que pouco anoitece e a patrulha se despedindo pensando no seu retorno e a árvore do campo dizendo chorosa: - Adeus Escoteiros! Nada ficou sem desfazer.
Boa noite!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

A esperança




A esperança.

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano, vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas, todas as buzinas, todos os reco-recos tocarem - Atira-se... E - Ó delicioso voo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: - Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá - (É preciso dizer-lhes tudo de novo!). Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas, que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo. Desejo uma felicidade sem limites para você neste dia que se pronuncia depois do alvorecer! (Mário Quintana).
Boa noite.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Luana Escoteira




Luana Escoteira

Luana uma escoteira, exausta da jornada aproveitou uma parada à beira de um remanso e tirou o tênis e pôs os pés na água fresca do riacho. Fria, gostosa, incrivelmente saudável. Peixinhos pulavam pareciam saudar as meninas Escoteiras. Luana pensou na frase de sua Chefe: - Esqueça os piores momentos da sua vida e faça os melhores se tornarem inesquecíveis. Luana sorriu. Ela sabia que sorrir não mata viver não dói. Abraçar não arde. Beijar não fere. Rir não machuca. Ou seja, ela tinha motivos enormes para não desistir de ser feliz. Luana amava ser escoteira. Sua mãe lhe disse: - Filha faça valer a pena, as oportunidades não voltam. – A Chefe apitou, hora de partir, o acampamento estava longe. Patrulhas na trilha, sol de meio dia, um sorriso e ela sabia que a vida lhe reservou ser feliz. Afinal ela aprendeu que devemos querer o bem, plantar o bem e o resto vem. Todas a olharam espantadas quando ela deu uma enorme gargalhada. – Olhou para Escoteiras sorrindo e gritou: - Eu nasci para ser feliz, não para ser normal! 
Boa noite.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A felicidade




A felicidade.

Era um Chefe escoteiro cheio de sonhos. No entanto vivia amargurado por não ter conseguido encontrar a felicidade que sonhou no Grupo Escoteiro onde viveu por muitos anos. Um dia se despediu de todos no Grupo Escoteiro e foi mundo afora a procura para encontrar uma sede escoteira que lhe desse a felicidade que sonhava. Convidou outros chefes a ir com ele e ninguém aceitou. Triste viu que todos os chefes sorriam desconfiados e ninguém o seguia. O tempo passou... Notou que estava envelhecendo. Cabelos brancos, mãos enrijecidas e pés cansados de tanto andar a procura de um Grupo Escoteiro onde pudesse ser feliz. Uma tarde apareceu em sua frente uma sede escoteira muito antiga, janelas com vidros quebrados, mato cobrindo o pátio e jardim perdeu a cor nas flores murchas. Viu passarinhos pousados na castanheira olhando para ele. Sorrindo tomou uma decisão. Serei feliz aqui, iria arrumar o telhado, novas janelas, cortaria o mato e novas flores seriam plantadas. Foi então que assustado viu que aquela era sua antiga sede escoteira que ele abandonara há tantos anos... Descobriu assim que não precisava ter mudado. Agora compreendia que a felicidade sempre existiu dentro dele. Uma pena que não reconheceu quão feliz sempre foi!

domingo, 16 de fevereiro de 2020

O troféu.




O troféu.

- A bandeira tinha sido hasteada. Petisco da Puma fez a oração. Ele tentou esconder seu contentamento. Via as patrulhas sorridentes esperando o resultado final. Ultimo dia. Quando o Chefe Joel chamou Josivaldo Monitor da Águia do Deserto para receber seu troféu. Ninguém esperava e todas as patrulhas correram para abraçá-lo e aos demais patrulheiros. Com o sorriso Chefe Joel e Miguel o Pioneiro Assistente se dirigiram a Patrulha Águia do Deserto colocando no seu bastão o tão ambicionado troféu de campo. Eles agora sabiam que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. E foi assim que eles sentiram como o importante é competir, vencer é mera formalidade. As palavras do Chefe ecoaram a todos formados naquele ultimo dia de acampamento: - “Cara Patrulha Águia do Deserto, o futuro se faz agora e cada erro é uma vitória, pois a derrota não existe, não há conquista sem luta e a vida é uma infinita luta onde só perde quem desiste. Parabéns”! Bravôo!
Boa noite.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

O monitor




O monitor.

- Acampado próximo ao Rio das Almas, patrulhas correndo para terminar a montagem do campo, eu olhava as águas modorrentas do rio, sem corredeiras, cascatas e cachoeiras. Pensativo me lembrei de João Monitor. Sempre a reclamar de seus patrulheiros. Eleito sem unanimidade o vi subindo a trilha até onde eu estava. Sabia que era para reclamar... – Chefe! Não dá mais. A Patrulha reclama, não anda e nada sai. Culpa de Pedrinho não ajuda e se acha o tal. De valente a mariquinhas. Está a chorar e quer a mamãe! Sem querer ri baixinho. Novatos são sempre assim na primeira noite. - João, Pedrinho não é o primeiro. Você foi assim quando aqui chegou. Lembras? Estava escurecendo e você a chorar pedindo mamãe. Quem lhe deu atenção amizade e o ajudou até hoje? - Nereu o meu antigo monitor Chefe. – Pois é e você não aprendeu? Lembra-se do que ele dizia? - João lembrava nunca esqueceu. Eram frases lindas... - “Se você pode ajudar em auxilio de alguém, faça isso agora. Enriqueça o seu vocabulário com boas palavras. Aprendendo a escutar, você saberá compreender”. João sorriu. Ele tinha um enorme caminho a percorrer. Voltou para o campo dos Corujas sabendo o fazer. - Pensei comigo: - Algumas vezes coisas difíceis acontecem em nossas vidas para nos colocar na direção das melhores coisas que poderíamos viver.
Boa noite.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Noite alta




Noite alta

- Há um ano eu escrevi... Noite alta... Meus olhos fecham. A fogueira agora em brasas está apagando. Hora de recolher... Meu colchão de capim feito com dois sacos de linhagem está pronto na minha barraca para me receber. Tudo é belo ao anoitecer. O céu forrado de estrelas que não vejo... Sinto o orvalho caindo na lona... Apoio minha cabeça na minha mochila. Ela será meu travesseiro para esta noite e as que virão. Prendo a respiração para ouvir um ou outro pássaro noturno que canta... Saudades do Uirapuru... Estou sozinho, gosto destes meus acampamentos a escoteira, “aquele que anda só”. Ouço o vento bater nas folhas das árvores. Estou cansado... Esqueço o corpo doído... Agradeço a Deus pelo dia. É hora de dormir!
Boa noite

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O seu o nosso acampamento.


O seu o nosso acampamento.

Que seja belo e alegre o teu anoitecer neste acampamento que imaginou. Que nele encontre todas as coisas bonitas desta vida. O canto dos pássaros. O cheiro da terra. A fumaça do fogão de barro do cozinheiro, a brisa da madrugada, o nascer e o por do sol, o perfume das flores, o sorriso do escoteiro, a pureza de um olhar, o calor da fogueira e o sono tranquilizante na barraca. E que teu coração mantenha sempre a porta aberta, para receber tudo de bom que a vida escoteira no campo te reserva. O que a luz do Sol é para as flores, são os sorrisos para a humanidade. Deixe a luz entrar em sua vida.
Boa noite!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Meu amigo.




Meu amigo

- Quando leio Vinicius de Morais, me embalo no tempo e vejo os meus amigos queridos que nunca esqueci. Assim ele escreveu: - Enfim, depois de tanta vida passada, tantas retaliações, tanto perigo, eis que ressurge noutro o velho amigo nunca perdido, sempre reencontrado. É bom sentá-lo novamente ao lado com olhos que contêm o olhar antigo, sempre comigo um pouco atribulado, e como sempre singular comigo. Um bicho igual a mim, simples e humano sabendo se mover e comover e a disfarçar com o meu próprio engano. O amigo: um ser que a vida não explica que só se vai ao ver outro nascer e o espelho de minha alma multiplica... José Roberto, Diva, Tatiana e Ananias que já foi para o céu moram para sempre em meu coração.
Boa noite!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Faça escotismo...




Faça escotismo...

- Oi! Não faça a guerra... Faça escotismo, venha viver esse jogo cheio de alegria, sorria, cante, dance com o Balu, pule corda, dê o grito da Patrulha, brigue com um abraço pelo que acredita, faça as pazes, chore sorrindo, acampe, excursione, faça montanhismo, sinta saudades, apaixone-se pela lua, Conte as estrelas no céu, ame seus irmãos escoteiros, dedique-se a causa, beije se achar que vale a pena, abrace seu amigo, diga Sempre Alerta, Melhor Possível, Servir, aprenda a ser fraterno, peça desculpa, faça amizades, tenha objetivos, ande, suba na árvore, brinque a vontade, ganhe ou perca não importa, prometa e cumpra, corra, pare... Seja leal. Enfim... Faça o que gosta de fazer e não esqueça é gostoso demais escoteirar!
Boa noite

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

A mochila pesada parecia chumbo.




A mochila pesada parecia chumbo.

A mochila pesada parecia estar cheia de chumbo. Minhas pernas cansadas precisavam de um descanso. Combinei com a Patrulha encontrar com eles antes do amanhecer. Tirei meu chapéu e passei um lenço no rosto. O suor escorria... Ao longe avistei uma bela Acácia. Enorme, florida, flores amarelas. Davam um colorido especial. Embaixo uma sombra convidativa. Por que não descansar alguns minutos? Pensei... Fiz da mochila um travesseiro, a sombra da acácia de tão boa convidava a um cochilo. Tirei o sapato, meus pés doíam. Peguei o cantil e passei um pouco de água no rosto. Deitei, olhei para o céu, o sol estava se pondo. Lembrei-me do meu Chefe que me ensinou: - “Vermelho ao sol por, delicia do pastor”. Dormi um sono lindo e tranquilo. Acordei com trovões, relâmpagos, uma chuva torrencial. Tirei minha capa e me enrosquei com ela e a Acácia. Dormi de novo. Acordei pela manhã com o sol brilhando, o corpo coberto com as flores amarelas da Acácia. Canários Belgas cantando sobre mim. Nas campinas ali perto as borboletas coloridas brincavam de esconde-esconde. O riacho próximo cantava Chuá, Chuá... Fui até lá. Fiz minha higiene matinal. Com a marmita fiz um café. Agradeci a Deus pelo dia. Hora de partir. Pensei com meus botões: Escoteiro pé na estrada, seus amigos de Patrulha esperam você no acampamento. Na trilha cumprimentei a montanha que iria atravessar. Bandeiras ao vento! Apertei o chapéu. Deixei o vento bater em seu rosto. Lá fui eu seguindo o sol. Chão de estrelas pisei fundo... Uma gostosa brisa nesta manhã. Dei um Adeus a Acácia e parti. Bem no alto da montanha olhei par trás... A Acácia balançou seus galhos... Prometi um dia voltar...
Boa noite!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Lorenzo.




Lorenzo.

- Lorenzo, você me pede para ser Escoteiro. Conta uma parte da sua vida e me diz que não acredita em nenhuma religião. Promete fazer tudo para ser aceito por mim e a patrulha, mas que seja liberado da promessa, pois não irá prometer no que não acredita principalmente Deus e a Pátria. Diz você que é um humanista e agnóstico, que ninguém pode provar que Deus existe e que por isso não perde tempo em discutir religião. Ri e me repete que duas mãos trabalhando fazem mais que milhares unidas rezando. - Eu disse a você que seria bem vindo, mesmo que pensasse assim. Pedi para trazer seus pais e você se recusou. Disse que eles não pensam como você e que nos seus dezesseis anos já é dono de sua vida. Não quer ficar mal com eles, pois são cristãos. Diz para mim que não teme morrer, pois não acredita em céu inferno e o Paraíso. Confirma que a morte para você é um nada e por isto não tem medo da morte. Sorri dizendo que é feliz da maneira com que vive e acredita. Você viu que eu fiquei calado ouvindo, pensei comigo como seria sua participação junto aos seus companheiros, se aceitaria a fé que eles têm ou sublevaria para mostrar que a fé não existe. Pensei em dizer se você nas reuniões todos orando como se sentiria sozinho sem rezar. Iria respeitar ou iria sorrir? Pensei na sua promessa assistida por todos você dizendo: Prometo fazer o melhor possível para... Sem Deus? Sem saudar a Pátria? Pensei como seria sua vivencia na natureza, prova viva da criação vendo as formigas trabalhando, as borboletas coloridas, o beija flor e o cantar dos pássaros se eles também seriam como você. Para você não existe o outro lado o outro lado é aqui. O que diria quando sua patrulha no alto da montanha visse um lindo por do sol e alguns iriam fazer uma circunflexão e dizer obrigado senhor por ter deixado que eu veja sua grande criação? Até pensei em um santo que dizia: - Nenhum homem diz “Deus não existe”, a não ser aquele que têm interesse em que Ele não exista! Você foi embora, tentou se explicar, mas desistiu. Fiquei tristonho. Queria você Escoteiro, queria ter mais um irmão, mas você seria o único, eu e você sabíamos que não ficaria a vontade com alguém que pensa diferente de você.
Boa noite!

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Bolonha.



Bolonha.

Acampado próximo ao Ribeirão da Lontra, vi Bolonha sentado na Pedra do Sino. Menos de cem metros para chegar lá. Bolonha era Sub Monitor da Pavão. Modesto não aceitou a promoção de Monitor. Vi que ele escrevia. Era um Escoteiro que todos nós respeitávamos. Diziam que ele seria um poeta, um escritor e seu futuro era receber um prêmio Nobel. Andava com uma caderneta e um lápis e não perdia um minuto de tempo livre para escrever. – Posso ler? Perguntei. Ele sorriu e me deu o caderno. – Li devagar saboreando cada frase: - Todos os dias a vida me ensina que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito. – Bah! Bonito demais! – E continuava – Humildade não te faz melhor que ninguém, mas te faz diferente de muitos. E terminava: - Talvez eu não tenha muitos amigos. Mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter... Eita Escoteiro danado. Abracei Bolonha e não sabia que era a última vez. Seu pai foi transferido de cidade e ele nunca mais voltou!
Boa noite!