A jornada.
- Acordamos de
madrugada. O amanhecer era algum maravilhoso. Notei uma nesga do sol no
horizonte. O rosto molhado com o orvalho que caiu da bruma branca, nos fez
companhia toda a noite. Cada um foi levantando e arrumando sua tralha. Comemos
uns biscoitos para aguentar a jornada que nos esperava. Precisamos chegar na Caatinga
do Boiadeiro antes do meio dia. Olhamos pela última vez aquelas quedas d’água
que nos levou sem saber a um paraíso perdido daquele rio que chamavam de
Formoso. Calados e mochilas as costas nos pomos em marcha. Alguém olhou para
trás, a névoa branca se dissipava. Deu para ver centenas de pássaros se
molhando nos respingos da cascata imensa. Durante horas ninguém falou. Sempre
olhando para trás. Somente o pequeno trovejar ainda se ouvia das quedas que já
haviam desaparecido no horizonte. Nunca mais voltei na Cachoeira do Rio Formoso.
Ninguém de nós voltou. Passaram uma cerca de “arame farpado” em tudo. O homem
só o homem resolvia quem entra e quem sai. Já não havia mais a natureza, pois
foi substituída pelos desmandos do ser humano. Aquele que mesmo chegando depois
dela, diz arrogantemente: “sou o dono da terra, dono da natureza”.
Boa noite.

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