Bolonha.
Acampado próximo ao Ribeirão da Lontra, vi Bolonha sentado na Pedra do
Sino. Menos de cem metros para chegar lá. Bolonha era Sub Monitor da Pavão.
Modesto não aceitou a promoção de Monitor. Vi que ele escrevia. Era um
Escoteiro que todos nós respeitávamos. Diziam que ele seria um poeta, um
escritor e seu futuro era receber um prêmio Nobel. Andava com uma caderneta e
um lápis e não perdia um minuto de tempo livre para escrever. – Posso ler?
Perguntei. Ele sorriu e me deu o caderno. – Li devagar saboreando cada frase: -
Todos os dias a vida me ensina que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais
bonito. – Bah! Bonito demais! – E continuava – Humildade não te faz melhor que
ninguém, mas te faz diferente de muitos. E terminava: - Talvez eu não tenha
muitos amigos. Mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter...
Eita Escoteiro danado. Abracei Bolonha e não sabia que era a última vez. Seu
pai foi transferido de cidade e ele nunca mais voltou!
Boa noite!

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