Osvaldo Escoteiro, mais conhecido como Chefe Osvaldo. 70 anos de escotismo e 76 de idade.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Quem sou eu?


Olhei-me no espelho e me perguntei: - este sou eu?

- Envelheci. Não sou mais aquele B.P das fotos de chapelão em jornadas no Transvall. Olho-me de novo e vejo que ali está alguém que descobriu que o tempo passou. Quantas vezes eu me vi no espelho pensando que minha vida caminhava retornando e não seguindo para onde devia ir? Sempre me pergunto quem sou eu. Será que sou aquele que faz a alegria de quem me ama, a tristeza de quem me odeia? Amigos escoteiros do mundo dizem que sou luz sou um poeta que leva a paz e o amor entre os badenianos do universo. Será que é isto que eu sou? Acredito que ninguém pode dizer exatamente. Olho-me de novo e vejo um ancião de olhos opacos com pensamentos abstratos sabendo que um dia foi e hoje não é mais. Com meus pés no chão da terra molhada vejo que não mais existem pegadas por onde passei.

- Olho-me novamente neste espelho sem graça e vejo que meu passado ficou para trás. Sinto que aos poucos vai sumindo na poeira do tempo, apagadas com o vento em uma tarde de verão. Pego no ar a voz dos anjos escoteiros, meus amigos que me dizem que não posso parar. - Chefe lembre-se de que sua jornada de vida não o ensinou a retornar e sim a descobrir um novo caminho onde vai passar. Não sei mais o que pensar. Melhor é agradecer as palavras doces surgidas por um escrito meu que vai se perder no tempo e morrer no passado. Sei que são amigos que me querem bem. Aquele poeta foi quem disse tudo sobre mim: - Minha vida está nos meus escritos e poemas, todos eles sou eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.

- Não posso parar meus passos que percorreram caminhos pensando em fazer os outros felizes como eu sou. - Olá! Eu digo. Já estou de volta de uma volta que não dei. Cheguei ao ponto de reunião e o melhor é começar tudo novamente. Caminho a seguir caminho a evitar e salto um obstáculo em um fosso profundo usando um nó de evasão. Minhas pegadas irão desaparecer no tempo, no vento amigo e agora sei que mesmo isto acontecendo alguns me disseram que no futuro muitos irão lembrar... Às vezes penso que desistir não consta na minha jornada. Sei que muitos insistem comigo para prosseguir. Eu sei que parar é morrer aos poucos. Dou um sorriso, elevo meu agradecimento e retorno com todos vocês meus amigos que agora passam a morar no meu coração. Tranquilizem-se, estão abrigados sobre o manto das estrelas do meu sangue e lá irão permanecer para sempre.

Do amigo Chefe Osvaldo

Insígnia de Madeira.




Insígnia de Madeira.

Às vezes em noites de chuva fina, uma garoa, mesmo a noite sento na minha varanda e me ponho a lembrar. Desta vez voei para o Meu Curso da Insígnia de Madeira parte II de campo. Belos tempos, nove dias acampado. Aprendendo com o Chefe Floriano, o Chefe Darcy, o Chefe Sauro Bartolomei, JF, e alguns outros que passei a admirar. A técnica tomou forma, do fogão e forno de barro, das mesas de encaixe, do uso do bambu, do uso do facão, afiação eita! E do Caminho de Tarzan, do Elevador, do Ninho de Águia, da ponte Pênsil, da Levadiça, da Jornada de 24 h, do Volta do Enfarfador com uma mão amarrada em cima de uma árvore, do Serrote Traçador, conduzir toras, medir altura, distancia, passo escoteiro, duplo, pistas de animais e pássaros. As unidades didáticas eram demais. A da Lei da Promessa, do caráter, da ética foi esplendidamente explicada pelo Chefe Sauro. Programando o Programa e tantas outras dadas pelos chefes sorrisos, amigos, sempre com uma palavra de motivação. Tantas coisas para lembrar. Nove dias, aprendendo a fazer fazendo, aprendendo as ideias de BP, do Manual ainda em Inglês recém-recebido de Gilwell Park. Lembranças dos companheiros, do rodízio na patrulha, cozinheiros com tempo contado para almoçar... Sem cadeiras, sem quadro negro... Tantas coisas que nunca deixarei de lembrar!
Boa noite.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dormir sob as estrelas




Dormir sob as estrelas

Dizem que quem teve a felicidade de passar uma noite contando estrelas já teve tudo na vida. A vida de Escoteiro tem disto. Ele pode imitar um macaco-aranha, um besouro cinzento querendo se esconder, uma cigarra cantante, uma onça pintada procurando uma caça, ou mesmo um pio da coruja no limiar da noite. Pode sim descobrir a árvore eco, dar uma batida ouvir o som como se fosse um código dos espiões das florestas. Quem já dormiu sob as estrelas sabe imaginar como seria estar em uma Bandeira como Fernão Dias Paes atrás de suas esmeraldas e ter o sonho de encontrar alguma. É como ver a noite chegar e ouvir o piar de um pássaro noturno brincando de esconde, esconde. Quantos de nós quando pequeninos Escoteiros não levou um vidro transparente, para prender os coitadinhos dos vagalumes pensando em ter uma lanterna brilhante? Dormir sob as estrelas... Frase mágica. Abençoados aqueles que um dia dormiram. E sob o manto do céu com tanta beleza acordamos com a alvorada com uma passarada cantante, a brisa da noite molhada, uma nesga do sol dizendo que agora ele sim seria o rei. Quem dera ainda pudéssemos no véu da noite ficar contando estrelas!
Boa noite.

sábado, 2 de maio de 2020

Aprender a fazer fazendo




Quantas vezes dormimos ao relento? Quantas chuvas enfrentamos? Quantos dias frios tiramos de letra com um bom Fogo Espelho? Conheci meninos Escoteiros que em uma parada de uma hora em uma jornada era suficiente para uma fazer uma sopa e prosseguir. Turma da pesada! E quantas vezes dormimos sobre pedras nas subidas das montanhas, molhados com a chuva e nos viramos com uma árvore copada? Pergunte aos que fizeram isto e verão um brilho em seus olhos, uma lembrança gostosa, um sabor diferente no aprender fazendo e vivendo para a vida. Sei que hoje os pais não são como antigamente, mas se fosse eu diria: - Senhor, o escotismo vai ser assim. Se quiser que seu filho seja um homem de caráter e que saiba se virar ele vai aprender a fazer fazendo. E para encerrar direi para eles o que Kipling escreveu: - “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.
Boa noite.