O monitor.
- Acampado próximo ao Rio
das Almas, patrulhas correndo para terminar a montagem do campo, eu olhava as
águas modorrentas do rio, sem corredeiras, cascatas e cachoeiras. Pensativo me
lembrei de João Monitor. Sempre a reclamar de seus patrulheiros. Eleito sem unanimidade
o vi subindo a trilha até onde eu estava. Sabia que era para reclamar... –
Chefe! Não dá mais. A Patrulha reclama, não anda e nada sai. Culpa de Pedrinho
não ajuda e se acha o tal. De valente a mariquinhas. Está a chorar e quer a
mamãe! Sem querer ri baixinho. Novatos são sempre assim na primeira noite. -
João, Pedrinho não é o primeiro. Você foi assim quando aqui chegou. Lembras?
Estava escurecendo e você a chorar pedindo mamãe. Quem lhe deu atenção amizade
e o ajudou até hoje? - Nereu o meu antigo monitor Chefe. – Pois é e você não
aprendeu? Lembra-se do que ele dizia? - João lembrava nunca esqueceu. Eram
frases lindas... - “Se você pode ajudar em auxilio de alguém, faça isso
agora. Enriqueça o seu vocabulário com boas palavras. Aprendendo a escutar,
você saberá compreender”. João sorriu. Ele tinha um enorme caminho a percorrer.
Voltou para o campo dos Corujas sabendo o fazer. - Pensei comigo: - Algumas
vezes coisas difíceis acontecem em nossas vidas para nos colocar na direção das
melhores coisas que poderíamos viver.
Boa
noite.

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