Este sou eu.
Choveu... Quando chove eu me escondo
na escuridão. Apago a luz e deixo o pensamento me levar... Por vezes na noite
chuvosa há um rosto que me olha no fundo de um espelho, e a arte deve ser como
esse espelho que me mostra quem realmente sou. Mas me olhando e curioso falo
para mim mesmo: Este sou eu? Assim? Tão velho tão precisamente carente, será
que sou assim? Prestando mais atenção eu não tinha este rosto de hoje, assim
calmo, assim triste, assim magro e nem estes olhos tão vazios, e nem o lábio
amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas, eu não
tinha este coração que nem se mostra... Eu mudei? Será que poderia um dia
imaginar que ficaria assim? Nesses dias taciturnos chuvosos, eu devia me
alegrar e sorrir, pois os melhores anos da minha vida foram molhados, como pintassilgos
respingados pela folha que um troco de chuva deixou cair... Em tantos acampamentos
que fiz... Melhor tirar o uniforme, vestir o pijama e ir dormir. Pedir a Deus que
me proteja, que quando chegar minha hora, que não seja agora, que eu esteja
feliz! Obrigado Cecília Meirelles por me ajudar a escrever sobre mim!
Boa noite.

Nenhum comentário:
Postar um comentário