Osvaldo Escoteiro, mais conhecido como Chefe Osvaldo. 70 anos de escotismo e 76 de idade.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019




Na beira do caminho tinha  uma flor.

- No meio do caminho tinha uma flor... Tinha uma flor no meio do caminho.  Sol do meio dia. Quente, fervia o sangue do Escoteiro... O chapéu de abas largas segurava os raios solares. A camisa ensopada. Pensou em tirar o lenço e a camisa e ficar só de camiseta. Pensou melhor, aprendeu a andar uniformizado onde fosse. Não importa se tinha alguém a vê-lo ou não. Pensou que depois da curva encontraria uma arvore para descansar. Estrada de terra o vento levantava poeira. Sabia que ainda tinha chão para percorrer. A Patrulha já fora agora era sua vez. Tirou seu cantil dois goles. Não mais. O Riacho estava longe. Tudo seco nem o verde do campo se via. Se chovesse seria só barro. Sua mochila pesava. Olhou para o céu e nem pássaros voando havia. Ele passou por ela. Na beira do caminho. Nem reparou. O sol inclemente não deixou. Andou alguns passos e parou. Sua mente gravou a flor na beira do caminho. Voltou-se calmamente e a viu... Linda, vermelha, quase do tamanho de uma rosa. Mas não era uma rosa. Somente ela com sua planta a segurar como se fosse cair. Não havia vento, ela quieta não se mexia. Mas era linda. A mais linda flor que ele tinha visto. Deu meia volta e foi até a flor na beira do caminho. Nunca pensou que na beira do caminho tinha uma flor. Ficou de frente a ela. Viu que ela sorria e não se importava com os raios de sol que não penetravam nas suas pétalas. Tirou sua mochila e se agachou em frente dela. Sentiu o seu perfume. Gostoso, delicioso. Era um balsamo para manter o corpo firme, sentindo seu perfume quando caminhava a beira do caminho. Ficou estático por minutos. Ela a flor sorria. Ele precisar chegar ao acampamento. A Patrulha esperava. O sol se escondeu. Pássaros cantantes chegaram. O vento começou a soprar. A flor balançou na sua planta, mas não caiu. O Escoteiro procurou um galho e o fincou junto à flor. Do seu cantil molhou a linda flor da beira do caminho. Precisava seguir adiante. O tempo não espera, e ele olhou a flor pela ultima vez. Grande, Vermelha, quase do tamanho de uma rosa, mas não era uma rosa. O Escoteiro partiu olhando para trás. Uma enorme tristeza o invadiu. A flor da beira do caminho balançou de um lado a outro. Como se estivesse agradecendo o que o Escoteiro fez por ela.
Boa noite.

Nenhum comentário:

Postar um comentário